segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A VOZ DO POVO TEM PODER

A FORÇA DOS MOVIMENTOS POPULARES NAS REDES SOCIAIS TEM FEITO A DIFERENÇA NAS DECISÕES POLÍTICAS
Estamos vivendo uma nova era da comunicação, as redes sociais por meio da internet estão revolucionando o mundo inteiro. A juventude voltou a se interessar por política, fazem críticas e acompanham o trabalho dos governantes, mostrando que não há mais espaço para a passividade e desinteresse em relação ao serviço público.  


Em Belo Horizonte, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) decidiu vetar o projeto que concederia 61,8% de aumento para os 41 vereadores da capital, o que faria os salários saltarem de R$ 9.288,05 para R$ 15.031,76. Depois de várias manifestações contrárias em frente ao prédio da prefeitura e protestos nas redes sociais, o prefeito não teve outra opção e atendeu o clamor da população que gritava: “VETA LACERDA”.
Na Espanha, jovens foram convocados pelas redes sociais e foram às praças protestar a favor da democracia e contra o desemprego. Eles lutam também por direitos sociais e se manifestam contra os cortes nos orçamentos públicos, especialmente de saúde e educação. O movimento, muito plural e diverso, com marcante presença de jovens, espontâneo, pacífico, espelha-se nos protestos por democracia e direitos nos países do Oriente Médio, e contra a crise econômica, na Islândia.
No Egito, após 30 anos de ditadura imposta pelo presidente Hosni Mubarak, a população egípcia foi as ruas para protestar contra o governante, que pressionado pelas manifestações renunciou ao cargo, dando lugar à democracia.
Em todo o mundo inúmeras histórias comprovam que quando as pessoas se unem em prol de uma causa, essa causa se torna real. O exercício da cidadania está diretamente ligado aos movimentos populares e quando as pessoas não se manifestam e não participam da vida política de seu bairro, cidade, estado e país, a realidade se complica e as verdadeiras necessidades da população são esquecidas.
Este ano teremos eleições municipais, nunca é tarde para se informar e participar das atividades políticas de nossa cidade. É tempo de nos envolvermos mais com os projetos de nossa comunidade e conhecer melhor nossos representantes. Estejamos todos atentos e dedicados para o que realmente nossa população precisa. Não podemos nos omitir, vamos todos juntos buscar por nossos direitos.
Mandato Coletivo da Vereadora Adriana Lara Flaviane Oliveira – Assessora de Comunicação

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Palavra Etica com Adriana Alves Lara - Assistente social, artesã e vereadora (PT) - 08/12/2011

http://www.youtube.com/watch?v=Xs6jHBoeJfs&feature=share&noredirect=1Assista à entrevista da vereadora Adriana Alves Lara concedida à  TV Comunitária de Belo Horizonte -- TVC/BH - no Programa Palavra Ética, sob a coordenação de Gilvander Moreira e conheça mais do trabalho da vereadora e do seu jeito de fazer política.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A grandeza do voto

Por Lúcio Flávio Pinto .

No domingo, 11, os paraenses serão protagonistas de um ato inédito no Brasil. Pela primeira vez na história nacional uma unidade federativa decidirá pelo voto a sua configuração territorial. Até agora, a criação ou extinção de Estados foi ato exclusivo do poder central, imposto de cima para baixo; ou produto de uma transação entre as partes.
A constituição de 1988 abriu a possibilidade de essa decisão ser adotada através de plebiscito. Um ano depois da vigência da nova Carta Magna, em 1989, o Estado do Tocantins foi criado sem a necessidade dessa consulta. Goiás não se opôs ao desmembramento de todo o norte do seu território. Pelo contrário: durante os oito anos anteriores integrou uma comissão bipartite que preparou o surgimento do novo Estado. Tocantins nasceu sob o clima do entendimento.
Como o Pará atual não aceitou o fracionamento, a consulta plebiscitária se tornou necessária. Apesar da originalidade da situação, até alguns dias atrás a opinião pública ignorou o fato. Parecia considerá-lo um acontecimento irrelevante, restrito a um Estado distante e secundário na estrutura do poder. Só começou a se aperceber da relevância da questão agora, às vésperas da votação – o que dá uma medida mais real do significado da Amazônia para o Brasil, descontada a propaganda e a fantasia.
Deve-se ressaltar que a maioria dos paraenses também permanece quase tão jejuna nessa pauta quanto um paulista ou um pernambucano. E que pauta: cheia de complexidades e sutilezas.
Os 4,8 milhões de eleitores habilitados a participar do plebiscito não vão escolher um líder local para algum cargo ou decidir sobre uma anomalia particular. A decisão que tomarem mudará a configuração territorial brasileira e provocará efeitos profundos sobre todo país.
A responsabilidade é grave e única, de um tamanho cuja grandeza o eleitor médio não tem a menor idéia. A campanha eleitoral em quase nada o ajudou nessa tarefa, dispersa entre ataques e defesas passionais, como em quase toda eleição.
Hoje, o Pará é o 2º em território do Brasil (com mais de 15% de toda sua extensão) e o 9º em população. Se a maioria dos eleitores concordar em dividi-lo para o surgimento de dois novos Estados, o Pará remanescente passará a ser apenas o 14º em tamanho e o 12º em população. Sua nova configuração poderia situá-lo no rabo da fila da federação brasileira por quase todos os critérios. Já não seria uma fronteira com grande potencial de crescimento: teria que aplicar seu engenho e arte para resolver problemas estruturais, dentre eles um território que perdeu grande parte da floresta amazônica que possuía.
O novo Estado do Tapajós, a oeste, se tornaria o 3º em território do Brasil (abaixo apenas do Amazonas e Mato Grosso) e o 24º em população. Passaria a ser a personificação mais próxima da idealização da fronteira amazônica. Mas ao lado de grandes extensões de floresta nativa há elementos de intensa perturbação desse ideal: enormes minas em expansão, estradas que abrem veias de destruição no meio da mata, grilagem de terras, conflitos rurais, desmatamentos em incontida expansão. Quase todos os problemas do Pará atual com menos instrumentos de resolução. Versão piorada do original.
O possível Estado de Carajás, ao sul, nasceria com o 9º maior território e a 22ª população. Dentro da Amazônia, pode ser comparado a Rondônia, a mais bem sucedida das unidades federativas que se originaram dos antigos territórios federais (os outros são Roraima e Amapá).
O paralelo não é destituído de significação. Estado típico de imigração, Rondônia sofreu tal desmatamento que a principal meta das suas lideranças é retirá-lo da Amazônia e transferi-lo para o Centro-Oeste. Assim ampliariam (de 20% para até 80%) a área de imóveis rurais passível de novas derrubadas de floresta.
Rondônia se parece cada vez mais ao sertão, de onde veio grande parte dos seus atuais habitantes. Carajás também. Seus mais recentes moradores sentem-se mais identificados com a paisagem semelhante à dos seus locais de origem, mas a Amazônia só tem a lamentar – e a perder. Os defensores do atual modelo de ocupação da região, que leva a esses efeitos tão danosos, são os mesmos que lideram as três frentes. Fique tudo como está ou mude a divisão administrativa do espaço geográfico, não será para melhor.
Mas não é só o conteúdo amazônico dessa vasta região, que representa dois terços do território nacional, o que está em causa no plebiscito. É a própria composição da unidade (ou da identidade) nacional, um desafio ainda à espera de uma resposta melhor do que a dada até agora. De um lado, os que tentaram amesquinhar a questão, sugerindo restringir a consulta à população das regiões que pretendem se emancipar (o que seria um jogo de cartas marcadas, com resultado certo: a favor).
De outro, os que interpretaram conforme seus interesses a regra constitucional, segundo a qual a “população diretamente interessada” na questão é toda a população brasileira e não apenas os 4,8 milhões de eleitores paraenses. Argumentaram que o custo da instalação dos dois novos Estados terá que ser rateado entre todos e que os efeitos políticos prejudicarão os demais, sobretudo os Estados mais fortes (cujo peso no parlamento sofrerá nova redução quando, no lugar dos 17 deputados federais e 3 senadores paraenses, se apresentarem 32 deputados e 9 senadores dos três Estados derivados do Pará).
Numa decisão inspirada para os padrões das suas últimas deliberações, o Supremo Tribunal Federal rejeitou essa tese, formulada pelo jurista Dalmo de Abreu Dallari, ligado à esquerda paulista. A “população diretamente interessada” é apenas a do Pará. Além de consagrar uma lógica quase tautológica, o STF fortaleceu – como raras vezes isso ocorre – a debilitada federação brasileira de verdade, ao invés de passar mais verniz na República Unitária que somos, caracterizada pela hipertrofia de poder em Brasília.
Como seria bom se o eleitor se sentasse diante da urna informatizada com a consciência de estar contribuindo para aumentar a democratização do Brasil. Será utopia pretender que o eleitor seja, antes de tudo, um cidadão ativo?